Mas... nem tudo são flores entre ipês.
As flores são breves e lindas,
Algum tempo depois que as folhas caem,
depois de um silencioso aspecto de gravetos,
os botões aparecem as pencas,
se abrem,
e como flores que são,
se fazem notar,
e depois de muito brilhar ao sol,
últimos raios do outono,
as folhas começam a dividir espaço com as flores,
que se entregam ao vento,
e sem querer pintam o chão,
e nisso surgem as vagens peludas,
que, ao brincarem de se disfarçar de bichos,
crescem, secam, abrem, caem e apodrecem,
na única intenção de se usar do vento,
agora vento de verão,
mais uma última vez,
para se espalhar,
e se divulgar a terra,
replicar a existência,
e ali, sem que ninguém perceba, ir ficando,
a fecundar,
criar raízes, brotar,
crescer, florir...
e se naquele espaço, não estiver só,
quedarse
entre Ipês.
Entre Ipês
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
abertura
Sem compromisso nenhum, quero, assim como quem não quer nada, me aproximar do anônimo e ali me reconhecer.
Como um nada porém um alguém, existência minúscula que se replica em você leitor, que sei lá como está aqui agora.
Garrafa lançada ao mar,
mensagem escrita na sobra,
a noite
e entre ipês.
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