sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Entre Ipês

Mas... nem tudo são flores entre ipês.

As flores são breves e lindas,
Algum tempo depois que as folhas caem,
depois de um silencioso aspecto de gravetos,
os botões aparecem as pencas,
se abrem,
e como flores que são,
se fazem notar,
e depois de muito brilhar ao sol,
últimos raios do outono,
as folhas começam a dividir espaço com as flores,
que se entregam ao vento,
e sem querer pintam o chão,
e nisso surgem as vagens peludas,
que, ao brincarem de se disfarçar de bichos,
crescem, secam, abrem, caem e apodrecem,
na única intenção de se usar do vento,
agora vento de verão,
mais uma última vez,
para se espalhar,
e se divulgar a terra,
replicar a existência,
e ali, sem que ninguém perceba, ir ficando,
a fecundar,
criar raízes, brotar,
crescer, florir...
e se naquele espaço, não estiver só,
quedarse
entre Ipês.

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